
De noite abri os olhos lentamente,
Olhei ao meu redor e tu não estavas.
Procurei um sinal de ti
E nem sinal do perfume que usavas.
Tentei sentir o calor do teu corpo,
Presente na minha almofada.
Não havia sinais de ti,
Nem da tua voz me chamando na estrada.
Segui até a janela.
Imaginei-te no divã do jardim.
Ao me deparar com a tua ausência,
Clamei em pranto sem fim.
Refletido no lago,
Vi o brilho do luar.
Invejei a lua por teu corpo poder acariciar.
Chorando, perguntei a escuridão da noite o porquê da tua partida.
Abandonando-me e acabando com a minha vida.
Deparei-me imundo, sem a tua presença.
Pedindo a deus a tua volta,
Não perdendo a crença.
Senti necessidade de ouvir a tua voz,
Nem que fosse a última oportunidade.
Poderia partir de seguida,
Para o mundo da imortalidade.
Derrubado pela dor,
Escorria meu sangue pelo chão.
Revirando meus olhos,
Esperando o último bater do coração.
Agarrava aquela rosa negra
Que numa tarde me ofereceste.
Encarcerando seus espinhos na carne,
Perguntando porque me esqueceste.
Pedias-me para voltar e ao longe vi um clarão.
Olhei mais de perto e o teu vulto esticava-me a mão.
Ajudaste-me a levantar e corremos juntos pelo inferno.
Jurando com sangue, saliva e suor que nosso amor seria eterno.
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